domingo, 2 de julho de 2017

Nossos smartphones são carteiras de cigarro modernas.- Desintoxicação digital!


Acordamos e, instintivamente, nossas mãos começam a tatear ao lado do travesseiro até encontrá-lo. Mal abrimos os olhos e eles já são inundados pela luz da tela LED do smartphone. Sem perceber, forçamos a vista. Não porque alguém entrou no quarto e abriu as janelas e cortinas (fazendo os raios de sol entrarem), mas porque tentamos focalizar o que dizem as últimas notificações, enquanto um brilho tão intenso quanto uma lanterna agride nossas retinas.

Não nos importamos com isso. Queremos mais é descobrir o que se passou nessas oito, sete, seis, cinco horas em que estivemos longe de tudo, dormindo. “Seria meu sonho não ter sono e poder acompanhar cada curtida que recebo?”. Uma demorada investigação nos grupos do Whatsapp, nos status recentes do Facebook e nas fotos que nossos amigos postaram durante a noite no Instagram tem um efeito revigorante. Aquela sensação de estar por fora desaparece e podemos, enfim, iniciar o dia. Não, espera! O celular acabou de vibrar, precisamos saber o que é!

Você já parou para notar que tanto as empresas de tecnologia quanto os traficantes de drogas chamam seus clientes pelo mesmo nome: “usuário”? Se isso é apenas uma coincidência ou não, o certo é que o uso descontrolado das redes sociais pode, sim, ser comparado com o abuso de substâncias tóxicas. A ansiedade que alguém sente antes de checar as notificações do celular é a mesma que um fumante experimenta antes do primeiro cigarro da manhã. Se hoje, em uma sociedade que se preocupa cada vez mais com a saúde e o bem-estar, tendemos a condenar a nicotina, por que achamos normal adormecer e acordar com o telefone sempre à mão?

Nosso Smartphone são carteiras de cigarros modernas. 




Nossos smartphones são carteiras de cigarro modernas.Se fumar pode nos levar ao câncer de pulmão ou de laringe (entre outras consequências amplamente divulgadas), o excesso de informações online desenvolve em nós o fear of missing out (FOMO, na sigla em inglês). Esse transtorno nada mais é que o medo de estar perdendo ou não fazer parte de algo importante. Por essa razão, buscamos estar conectados o tempo inteiro. Também é um anseio irracional, afinal é impossível poder acompanhar toda e qualquer novidade que surge em nossas timelines.



Me diga: você já conseguiu chegar ao fim dessa timeline?Pessoas com FOMO, porém, apresentam profundos questionamentos quanto a si próprio e aos outros. Essas incertezas, que normalmente se manifestam em dúvidas como “Será que alguém me ama?”“Estou realizando algo significativo na minha vida?” “Será que a minha existência tem alguma importância?”, são levadas para o ambiente virtual e alimentadas com comentários, mentions e likes. Quando isso não acontece, ou as notificações diminuem, a frustração pode causar depressão e ansiedade severas.

Também é bastante comum que o vício em wi-fi (e em seguida o fear of missing out) se desenvolva a partir do excesso de trabalho. A facilidade com que chefes podem encontrar seus funcionários atualmente, a qualquer hora e em qualquer lugar, é um agravante para o medo de ficar desconectado.

Se você passou por alguma situação semelhante com a que aconteceu comigo, ou sente que está precisando de uma “desintoxicação digital”, pode tentar as dicas a seguir. Elas são baseadas na minha própria experiência e, preciso dizer, estão me ajudando e muito a superar um quadro de ansiedade adquirido depois das eleições.


Passe um tempo desconectado:

Ok, essa é óbvia, mas me deixa explicar. Para quem sofre com o fear of missing out não basta ficar longe do smartphone e do notebook. A mente dessas pessoas continuam conectadas com as redes sociais mesmo em situações de total isolamento e um tratamento de choque, nesses casos, pode apenas levar a mais frustração. Encontre uma atividade que você goste de fazer (que, claro, não precise de uma conexão wi-fi) e dedique tempo a ela. Cozinhe, leia, jogue videogame ou vá para a academia (sem o celular, por favor). Enquanto estiver fazendo o que quer que seja pra ocupar a cabeça, não esqueça de deixar o aparelho no modo “Não Perturbe” para você não ser interrompido pelas notificações. Sugiro configurar alguns números importantes (como os da sua família e do seu cliente ou chefe) na lista de prioridades, assim, caso ocorra alguma emergência, você pode ser facilmente avisado através de uma ligação.
Cozinhar é uma ótima maneira de esquecer das notificações. Afinal, como diz minha irmã, ninguém consegue preparar algo gostoso de má vontade e com a cabeça distante.


Pule as centenas de mensagens não lidas nos grupos de Whatsapp:

A menos que o seu número seja novo e você ainda não tenha sido incluído em todos os grupos da família e do trabalho, quando você abrir o Whatsapp pela primeira vez no dia será atingido por centenas de mensagens não lidas. Resista à tentação de visualizar cada uma delas. Acredite, poucas dizem respeito a você e a maioria são totalmente dispensáveis. Além de poupar tempo, isso ainda evita que a sua manhã seja estragada por comentários imbecis daquele tio metido a cientista político.

No caso dos grupos de trabalho, qualquer demanda que tenha surgido ali durante a sua ausência ou já foi resolvida por outra pessoa que estava online no momento, ou pode ser deixada para quando você estiver no seu horário de trabalho (afinal, é para isso que prestamos expediente, certo?). Lembre-se: se seu chefe precisar falar diretamente contigo, ele não fará isso em um grupo. Em situações de urgência, o mais certo é que ele te ligue e não mande mensagens.


Diminua a quantidade de apps instalados em seu celular:

Uma pesquisa recente da associação de marketing móvel MMA apontou, em setembro passado, que o brasileiro costuma utilizar até oito aplicativos no celular por semana, em média. Pode parecer pouco, mas o mesmo estudo também afirmou que 83% dos usuários de smartphones do país realizam downloads de novos programas periodicamente. Ou seja, entupimos nossos aparelhos com apps que usamos uma vez e depois deixamos de lado. 

Esses pobres rejeitados, porém, não querem ser esquecidos e enviam notificações para a sua tela sempre que possível. Realize uma faxina no seu telefone e exclua aquelas redes sociais que você não acessou há, pelo menos, um mês. Você precisa mesmo de uma conta no Snapchat depois que migrou todos os seus posts para o Instagram Stories? Desculpa, Snap! Não é pessoal. Porém, quanto menos aplicativos brigarem por nossa atenção, melhor vai ser para a nossa saúde mental.
Tem app pra tudo nessa vida, até para ficar ocupando espaço nos nossos smartphones.


Desinstale o Facebook (ou, pelo menos, desabilite as notificações):

Não é de hoje que o app do Facebook é visto como a grande pedra no sapato dos nossos smartphones. Ele consome uma quantidade enorme de RAM, além de ocupar espaço na memória suficiente para centenas de fotos (se você é usuário de iPhone, sabe o quanto isso é um problema). Mesmo assim, a simples ideia de apagá-lo é quase uma heresia. Para quem trabalha como social media, é impossível não conviver com a rede social de Mark Zuckerberg (acredite, eu tentei), mas você pode controlar melhor o tempo que passa navegando pela timeline. Desinstalar o aplicativo do telefone, vai te forçar a usar a versão web quando precisar checar alguma postagem — e, te garanto, ninguém terá esse trabalho extra se o que for fazer no Facebook não for realmente importante.

Se esse for um passo radical demais para você, pode começar desabilitando as notificações irrelevantes. Sério, o Facebook é especialista em nos manter informados com coisas que não precisamos saber. Entre nas configurações da sua conta e desmarque todos os avisos de grupos, páginas e entradas ao vivo dos seus amigos. Deixe apenas as marcações que dizem respeito a você e às páginas que você gerencia. Logo verá que sua tela vai deixar de acender a cada 15 minutos e a paz retornará para a sua vida.
“Um total desconhecido acaba de publicar naquele grupo que você nunca olha”



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